O período neonatal decorre do nascimento ao 28.º dia de vida. Entre mamadas frequentes, sono em pequenos períodos, fraldas e consultas, o bebé está a adaptar-se à vida fora do útero e a família a uma rotina inteiramente nova. Este guia segue a realidade portuguesa: ajuda a perceber o que confirmar na maternidade e no centro de saúde, como organizar o Teste do Pezinho e quando pedir aconselhamento ou assistência urgente.

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Como podem ser os primeiros dias de um recém-nascido?

O recém-nascido pode dormir e alimentar-se a qualquer hora, assustar-se com facilidade, manter as mãos fechadas, virar a cabeça em direção ao toque e acalmar-se ao colo. Ainda não distingue o dia da noite. Como o controlo da cabeça e do pescoço não está desenvolvido, apoie ambos sempre que pegar no bebé. Uma ligeira descamação, mãos e pés azulados enquanto os lábios se mantêm rosados e alguma perda inicial de peso podem ocorrer; a equipa avalia se são esperados em conjunto com respiração, alimentação, estado de alerta e evolução do peso.

Os primeiros 28 dias não são um teste de desenvolvimento. O contacto visual, a reação aos sons e os movimentos mais coordenados surgem gradualmente. Um bebé prematuro deve seguir o plano individual da alta e, mais tarde, será considerada a idade corrigida. Contacte o profissional que o acompanha se uma resposta já observada desaparecer, se um lado se mover claramente menos ou se o comportamento habitual mudar de forma persistente.

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Quando é a primeira consulta do bebé?

O calendário exato é definido na alta e pelo Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil. A maternidade ou o centro de saúde pode marcar uma avaliação muito cedo após alta precoce, prematuridade, icterícia, dificuldade na alimentação ou perda de peso que precise de vigilância. Nessa avaliação são revistos o parto e a alta, o peso, a hidratação, a alimentação, as dejeções e a urina, o umbigo, a pele, o sono seguro e os rastreios e vacinas já realizados.

Leve o Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, o boletim de vacinas e a informação da alta. Anote alterações na alimentação, nas fraldas, na cor da pele, na respiração ou no estado de alerta. Confirme ainda como e quando será feita a inscrição do bebé no centro de saúde e qual o contacto a utilizar se surgir uma dúvida antes da consulta seguinte.

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Quando se faz o Teste do Pezinho e os outros rastreios?

Em Portugal, a colheita de sangue para o Programa Nacional de Rastreio Neonatal —o Teste do Pezinho— deve ser feita entre o 3.º e o 6.º dia de vida, numa unidade indicada pela maternidade ou pelo centro de saúde. O programa rastreia atualmente 27 doenças e mantém projetos-piloto para outras condições; use sempre a informação oficial atualizada. A audição é habitualmente rastreada antes da alta ou encaminhada para avaliação, conforme o circuito local.

Um rastreio não é um diagnóstico. Uma segunda colheita ou uma referenciação serve para esclarecer o resultado. Antes de sair da maternidade, confirme o local e o prazo do Teste do Pezinho, que outros rastreios foram concluídos, como recebe os resultados e se algum precisa de repetição. Mantenha os contactos atualizados e não falte a uma repetição, mesmo que o bebé pareça saudável.

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Vacina da hepatite B, BCG, vitamina K e suplementos

O Programa Nacional de Vacinação prevê a primeira dose da vacina contra a hepatite B ao nascer. Se a mãe tiver HBsAg positivo —o teste sanguíneo que indica infeção pelo vírus da hepatite B—, o recém-nascido precisa também da proteção específica definida pela equipa, incluindo imunoglobulina com anticorpos protetores já preparados. A BCG não é universal: destina-se a crianças com fatores de risco. Nos bebés elegíveis, a DGS recomenda que seja administrada logo que exista resultado negativo no rastreio da imunodeficiência combinada grave e, idealmente, até às 5 semanas.

A vitamina K é administrada após o nascimento para prevenir hemorragias por deficiência. Para qualquer suplemento em casa, incluindo vitamina D, peça ao médico ou enfermeiro que confirme o produto, a concentração e a dose adequados ao bebé. Não converta uma recomendação geral em número de gotas, porque as formulações variam. Se o registo de uma vacina, medicamento ou proteção especial estiver incompleto, esclareça-o com a maternidade ou o centro de saúde antes de alterar o plano.

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Como e com que frequência se alimenta um recém-nascido?

O recém-nascido alimenta-se de dia e de noite e pode concentrar várias mamadas num curto período. Se amamenta, ofereça a mama aos primeiros sinais —procura, mãos na boca ou cabeça voltada para o contacto— sem esperar sempre pelo choro. A OMS recomenda aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses, quando possível. Se utilizar fórmula para lactentes, cumpra rigorosamente as instruções de preparação e combine as quantidades com o médico, enfermeiro ou parteira, tendo em conta a idade gestacional, o peso e o crescimento, em vez de seguir uma tabela genérica.

A duração de uma mamada ou o volume de um biberão isolado não bastam para avaliar a ingestão. Deglutição, respiração tranquila durante a alimentação, períodos de vigília, fraldas molhadas e evolução do peso devem ser vistos em conjunto. Peça ajuda rapidamente se o bebé estiver demasiado sonolento para comer, não coordenar sucção e respiração, recusar mamadas, vomitar repetidamente ou molhar muito menos fraldas.

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Como deve dormir um recém-nascido em segurança?

O sono neonatal distribui-se pelo dia e pela noite, sem uma janela de vigília exata que sirva para todos nos primeiros 28 dias. A necessidade de acordar o bebé para comer depende da idade gestacional, da icterícia, do ganho de peso e do plano da alta. Siga esse plano em vez de esperar que durma toda a noite.

Deite o bebé sempre de costas, no seu próprio espaço, sobre um colchão firme e plano. Não coloque almofadas, posicionadores, protetores, brinquedos ou roupa solta na cama. Partilhar o quarto é mais seguro do que partilhar a cama. A cadeira auto e outros dispositivos sentados são para transporte, não para o sono habitual; no fim da viagem, transfira o bebé para o espaço seguro. Adormecer com o recém-nascido num sofá ou cadeirão é particularmente perigoso.

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O que observar na icterícia, nas fezes e nas fraldas?

A icterícia é frequente, mas a cor da pele não mede, por si só, a bilirrubina. Icterícia nas primeiras 24 horas, amarelo que aumenta ou se estende, dificuldade em acordar, mamadas fracas, urina escura ou fezes muito claras exigem aconselhamento rápido. Cumpra todas as avaliações de bilirrubina; a exposição ao sol não substitui a medição nem a fototerapia prescrita.

O aspeto das fezes e o número de fraldas mudam depressa. Interprete-os com os dias de vida, o tipo de alimentação e o peso, e não através de um número isolado encontrado na internet. Uma redução acentuada das fraldas molhadas habituais, 12 horas sem urinar, sangue nas fezes, diarreia persistente ou vómitos com abdómen distendido requerem avaliação urgente.

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Como cuidar do cordão umbilical e da pele?

Mantenha o coto umbilical limpo e seco e dobre a fralda por baixo. Siga as indicações da maternidade ou do centro de saúde e não aplique faixas, moedas, pós, óleos, álcool ou preparados caseiros sem indicação. Deixe-o cair sozinho. Contacte o profissional no próprio dia se a vermelhidão se estender ao abdómen, houver inchaço, pus, mau cheiro, febre ou hemorragia que não pare.

Uma ligeira descamação e pequenas erupções transitórias podem ser normais. Lavagem suave e secagem cuidadosa costumam ser suficientes. Bolhas, líquido, uma erupção que se alastra rapidamente ou uma alteração acompanhada de menos mamadas ou sonolência fora do habitual devem ser avaliadas antes de experimentar vários produtos. Lábios ou pele azulados ou acinzentados com respiração alterada são uma emergência.

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Quando pedir ajuda sem esperar?

Uma temperatura de 38 °C ou mais num bebé com menos de três meses exige avaliação médica urgente. Ligue 112 se houver dificuldade respiratória grave, lábios ou pele azulados ou acinzentados, convulsões ou se o bebé não responder. Não administre antipiréticos sem orientação clínica.

Peça ajuda urgente se respirar com gemido ou retrações no peito, se não conseguir acordá-lo para comer, se vomitar repetidamente ou em verde, ficar 12 horas sem urinar, se a icterícia agravar, se a vermelhidão do umbigo se estender ou se o bebé parecer claramente diferente do habitual. A perceção da família de que algo mudou é informação importante, mesmo quando o sinal não aparece numa lista.

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Referências e fontes primárias